segunda-feira, 11 de maio de 2009

"evolução" diária

É quase cômico como debochamos silenciosamente de nossas fases, não? Paramos para pensar e lembrar de épocas, de atitudes, de pensamentos, de vestimentas, de amizades, de gostos, de futuros e de presentes que hoje estão todos entulhados em uma caixinha mental rotulada de "passado".

O mais cômico (e curioso) é que nos sentimos tão a vontade, quase na beira do abismo do orgulho ao fazer isso. "Ahhh! Como eu evolui! Como amadureci! Como cresci!". Não minta para mim, é óbvio que você já pensou nisso. Calma, você esta certo! Nós realmente crescemos, é lógico. O problema todo não é esse orgulho enrustido de suas mudanças necessárias, e sim como ela é expressada.

Ora, rapaz! Isso é clichê, mas também é bem difícil de entender. Fases são eternas. Todo dia você engaveta alguma em seu arquivo na cachola. Todo dia um futuro vira passado, substituído por um outro que, não muito tarde, vai acabar arquivado também, seja por ter se tornado impossível, ou por ter sido alcançado.

Ontem fomos metaleiros, rebeldes, playboys, surfistas, nerds, maconheiros, músicos, poetas! Hoje somos "intelectuais", "universitários", "assalariados", "boêmios", "cults", "alternativos", "sonhadores". Amanha só deus sabe o que podemos ser. Pais? Desempregados? Milionários? Escritores? Vagabundos?

Eu imagino que essas fases nunca acabem, apenas percam espaço. As responsabilidades vão chegando e você se torna um "responsável-inveterado". E quando isso acontece, amigão... Você não tem muita opção a não ser se manter ali por um bom tempo... É claro que isso é apenas direcionado aos "pseud-pobretões" como eu, afinal com o fator dinheiro, esse texto muda sensivelmente.

Então, bacana, não olha para trás com deboche, vergonha e menos ainda com orgulho do presente. Porque mais cedo ou mais tarde, você vai ter que se orgulhar de novo, e de novo, e de novo, e de novo... Então poupa a gente do trabalho de ter que ver você compartilhar isso pela nonagésima vez. (y)

Grande Abraço.

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