quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

As opostas

De um lado, vivia uma menina disfarçada de mulher.
Do outro, uma mulher com máscara de menina.
Uma vivia envolta em uma estranha melancolia.
Outra emanava uma incoerente alegria.
A primeira se aconchegava em sua rotina.
A segunda fugia desesperada da monotonia.

Para a moça-mulher, a solidão e isolamento.
Para a mulher-moça, pessoas para sufocar o sofrimento.
Enquanto uma fugia, a outra se aproximava.
Enquanto uma atiçava, a outra encantava.
Um jeitinho doce de ser
Contrastando com uma forma tão louca de viver
Uma certeza tão inexorável
Batalhando contra o medo de se render

Opostos tão opostos que chegavam a ser gêmeos em algum momento.
Porém em um sentido tão profundo que escapava do meu conhecimento.
De bem perto, eu apenas observava
Um mero espectador inconsciente do nascimento de um dilema
Perdido entre tanto receio disfarçado de razão
E tanta loucura que clamava por identificação

Nessa bifurcação eu parei.
Acendi um cigarro, abri uma cerveja
E por lá mesmo fiquei.
A me apaixonar pelo ser.
A fantasiar com o ter.
A duvidar de poder.
A escrever sobre o nada fazer.