domingo, 31 de agosto de 2014

Um caso de amor e ódio – palavras sobre uma geração confusa nas vésperas das eleições

Eu amo época de eleições. Principalmente presidenciais. O debate que ficou quase esquecido nos últimos quatro anos renasce, opiniões pipocam por todo o lado, somos apresentados aos concorrentes e todo o circo é armado por alguns meses. Discussões surgem para todo lado, nos ônibus, no trabalho, na mesa de bar, na reunião em família, nas redes sociais, nas escolas e faculdades. A pluralidade é imensa. A oportunidade de se informar também. A chance de aprender e conhecer um pouco de política é única.

Eu odeio época de eleições. Principalmente presidenciais.  O debate que ficou quase esquecido nos últimos quatro anos renasce, opiniões pipocam por todo o lado, somos apresentados aos concorrentes e todo o circo é armado por alguns meses. Discussões surgem para todo lado, nos ônibus, no trabalho, na mesa de bar, na reunião em família, nas redes sociais, nas escolas e faculdades. A pluralidade é imensa e a sujeira descarada. A mídia tendenciosa, os discursos de ódio e as pessoas que bradam absurdos como verdade absoluta. A falta de informação e/ou a pura maldade e falta de caráter se espalham viralmente.

Nesse ano a síntese da política parece ser “ninguém aguenta mais o PT”. Ouço/leio isso com tanta frequência que quase me convenço que é verdade. Outra frase que parece definir a opinião da classe média é: “nunca se viu tanta corrupção no país”. Nisso eu sou obrigado a concordar. Provavelmente por motivos diferentes da maioria que reproduz essa fala, mas não entraremos no mérito.

Quanto mais leio, ouço, falo, vejo e penso, mais tenho certeza que sim, eu estou insatisfeito com o governo atual. Minhas críticas ao governo Dilma não são poucas, porém seguem um caminho totalmente diferente da maioria que grita “Fora PT” aos sete ventos (ou aos milhões de fibras óticas e ondas de rádio).

Eu estou insatisfeito porque a Dilma não lutou pela reforma política no país. Porque nada mudou na nossa politica econômica, onde tudo é ditado de acordo com os interesses de poucas famílias e banqueiros continuam a enriquecer silenciosamente. Porque assuntos cruciais foram ignorados, como a regulamentação das drogas, tão discutida no mundo inteiro nos últimos anos e outras questões vitais de cunho social e não menos polêmicas. Porque a ideia de democratização da mídia nunca andou e por mais uma penca de coisas.

Enquanto isso, os programas sociais, responsáveis pela inclusão de milhões de pessoas no Brasil, são criticados, apontados como “esmola” e “compra de voto da classe pobre”. O plesbicito proposto para discutir a reforma política é atacado por alguns como algo “antidemocrático”. A democratização da mídia recebe o rótulo de censura.

Me sinto preso dentro de um Opposite Day eterno. Vejo um povo com o legítimo direito de estar insatisfeito, mas repetindo palavras que só são interessantes para aqueles que estão fora do contexto de “povo”. Agindo como papagaios de interesses reacionários e elitizados. Dançando a música da mídia tendenciosa que não faz jornalismo e sim política.

É justo não votar no PT. Assim como também é justo não votar no PSDB, PSB ou PSC. Oras, até onde eu sei é justo até não ir votar ou ir lá e apertar o número do Ey-ey-eymael, o Democrata Cristão. Injustiça é limitar a argumentação politica com um “Não voto porque é ruim”. “Não voto porque é corrupto”. “Não voto porque não”. Injustiça é querer ser um politizado preguiçoso. Injustiça é protestar contra tudo sem defender nada. Maior injustiça ainda é comprar um discurso congelado e só ter o trabalho de esquentar e servir. Não, eu não sou obrigado a engolir isso.

A geração que vive na “era da informação” tem um potencial sem precedentes. Tem acesso ao aprendizado e voz ativa em dimensões inéditas na história da humanidade. Ironicamente essa liberdade virou uma obrigação social banal. Nos sentimos obrigados a propagar conteúdo, mas não precisamos entender sobre o que falamos. Somos obrigados a ter uma opinião sobre tudo, mas não precisamos pensar sobre nada. Só precisamos ter. Mostrar que temos. Compartilhar isso com todos que conhecemos. Assim seremos aceitos. Seremos reconhecidos. Teremos feito nossa parte. Teremos passado despercebidos. Ufa! Agora ninguém vai achar que eu sou alienado ou desinformado.

E na dúvida é sempre mais fácil repetir o que andam dizendo, não é? Como disse um amigo, “vestir aquele pretinho básico”. Não tem como errar. É só seguir com a corrente. Ir no embalo. É fácil, prático e efetivo.

Mas extremamente irritante. 

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